Deloitte observa que os responsáveis pela gestão da tecnologia terão perfil diretamente ligado ao momento e objetivos das corporações

A mudança é veloz e o perfil dos profissionais de TI precisa evoluir de maneira acelerada. Com base na transição das empresas rumo à digitalização de seus negócios, a Deloitte fez um levantamento e identificou quatro elementos que têm moldado o legado dos CIOs.

A lista é composta por quatro temas: prioridades de negócios, liderança e talento, relacionamentos e prioridades de investimentos.

A consultoria foi mais a fundo para tentar dissecar cada um desses tópicos a fim de compreender como será o futuro dos executivos a frente das estratégias de tecnologia e como eles se alinharão aos objetivos corporativos.

Especificamente sobre prioridades de negócio que influenciam as rotinas dos gestores de tecnologia estão questões referentes a melhorias de desempenho, custos, clientes, inovação e crescimento. “São temas que aparecem na agenda dos executivos, independente da indústria, geografia ou tamanho de suas empresas em que atuam”, sinaliza o relatório.

Com relação ao tópico liderança e talento, a Deloitte listou 12 capacidades (pedindo que os CIOs escolhessem as seis mais importantes para o sucesso em suas atividades). As mais relevantes versam sobre exercer influência sobre decisores internos, habilidades de comunicação, compreensão das prioridades estratégicas de negócio, gestão de pessoas, visão tecnológica e habilidade de gerenciar um ambiente complexo e de rápida mudança.

Cerca de 90% dos CIOs que participaram do estudo global não dominam pelo menos uma dessas habilidades. “Os três skills com maiores gaps referem-se a influência interna, gestão de talentos e visão tecnológica”, aponta o relatório.

O tópico sobre estabelecer relacionamento refere-se a capacidade de alinhar projetos e discursos com CEOs, CFOs, COOs e outros líderes de unidades de negócio. Apesar de terem avançado junto ao C-Level, a pesquisa revela que ainda há muito para evoluir em termos de relacionamento com profissionais de outros departamentos.

Sob a perspectiva de investimentos previstos para os próximos anos, o levantamento destacou um desejo dos gestores de TI em apoiar estratégias de negócio com ferramentas que ajudem na digitalização das organizações, especialmente sistemas analíticos.

A definição da estratégia de rede e conectividade dará ao CIO o fundamento que torna possível a implementação de um modelo em cloud

A adoção de serviços na nuvem como SaaS (Software as a Service) e Iaas (Infrastructure as a Service), com o objetivo de trazer mais agilidade e redução de custos para as empresas, tem demandado dos CIOs novas estratégias de comunicações e soluções de conectividade. Uma das prioridades é garantir que a infraestrutura de comunicações esteja preparada para suportar o acesso dos seus usuários a esses serviços com rapidez, segurança e a partir de qualquer lugar.

Segundo dados do Gartner, a mudança no padrão do tráfego corporativo ao se adotar serviços na nuvem, além do maior consumo de conteúdo na Internet e de tráfego de vídeo, vai resultar em um crescimento médio de 28% ao ano na demanda por mais capacidade das redes corporativas até 2017. Além do crescimento do consumo da rede, existem implicações sobre segurança, no controle do consumo da capacidade da rede e da integração da Internet com a rede privada que devem ser consideradas.

Nesse contexto, o executivo de TI deve adotar estratégias para garantir que a decisão de migrar serviços para a nuvem seja executada de forma bem-sucedida.

São elas:

• Integrando a rede privada, a Internet e a nuvem em uma rede híbrida

É possível combinar o melhor da Internet – como o seu custo –, e o melhor de uma rede privada – segurança, qualidade de serviço e confiabilidade –, para atender as diferentes demandas corporativas. Atualmente, a Internet pode ser utilizada como um caminho de contingência para alguns escritórios que utilizam uma solução de conectividade dedicada, enquanto outros escritórios podem utilizar somente a rede mundial como um meio de acesso, por exemplo. O critério de decisão vai depender dos requerimentos do negócio no que se refere à sua disponibilidade e desempenho dos serviços, além do orçamento disponível.

• Prever e planejar a mudança do tipo de tráfego e consumo na rede

É fundamental identificar como a utilização da rede será impactada pela adoção de serviços que estejam fora da rede corporativa. As perguntas que devem ser feitas são: preciso redimensionar as saídas para a Internet? É possível ter uma conectividade segura e confiável nos serviços na nuvem? É necessária uma avaliação criteriosa desses aspectos para então se definir a estratégia de conectividade dos serviços na nuvem por meio da Internet ou de uma rede privada – que permite maior confiabilidade e segurança –, ou a partir de ambos.

Profissionais híbridos, IoT, computação cognitiva, consumerização e segurança. Veja como será o cenário até 2020

O mundo da tecnologia avança de maneira rápida. Algumas tendências ganharam peso no passado recente e passam a influenciar a rotina das organizações. Falando especificamente em analytics, cinco tendências devem afetar de forma profunda o conceito ao longo dos próximos anos.

Athina Kanioura, diretora executiva na Accenture Digital, faz uma projeção do que esperar nesse contexto até 2020. Ela observa um movimento de adoção de ferramentas de nicho, uma busca por soluções de vendors menores e tecnologias open source.

1. Desafio da mão de obra híbrida. A luta por talentos será (ainda mais) ferrenha. Além da falta de profissionais com perfil adequado, haverá uma inclinação cada vez maior para encontrar pessoas com conhecimento que lhes permita transitar tanto por temas de tecnologia quanto de negócios.

2. Internet das Coisas. A coleta de dados por meio de diversos dispositivos espalhados pela rede, e seu consequente processamento em tempo real, impactará a abordagem e o poder de analytics. A evolução nesse sentido mudará a forma como empresas operam e com pessoas interagem com a tecnologia.

3. Máquinas inteligentes. A computação cognitiva, na visão da executiva da Accenture, adicionará novos paradigmas em termos de análise de informações. Os recursos humanos continuarão importantes, mas os robôs ganharão peso no auxílio a decisões.

4. Análise pervasiva. As ferramentas analíticas permearão praticamente todos os departamentos. A consumerização afetou a forma como tecnologia é usada em ambiente corporativo. A tendência aponta que as soluções de análise cada vez mais amigáveis aos usuários de negócio.

Athina Kanioura, diretora executiva na Accenture Digital, lista pontos que atrapalham a criação de uma cultura analítica nas empresas

Bastante coisa já avançou em termos de analytics. O conceito, porém, ainda não atingiu sua plenitude. Falando especificamente do contexto brasileiro, os setores de telecom e finanças são os mais próximos à maturidade no uso das ferramentas. Pelo menos essa é a visão de Athina Kanioura, diretora executiva na Accenture Digital.

A executiva, líder do centro de excelência em soluções analíticas que a provedora mantém Atenas (Grécia), esteve no País recentemente. Além de operadoras e bancos, a especialista cita que empresas de bens de consumo nacionais começam a perceber o valor das ferramentas como forma a entender a necessidade dos clientes.

De forma geral, Athina observa um movimento de adoção de ferramentas de nicho, uma busca por soluções de vendors menores e tecnologias open source. A inclinação vincula-se a promessa de entregas de projetos com ciclos mais curtos e mais adequados a necessidades especificas.

Empresas líderes que desenvolvem uma abordagem em que as pessoas estão em primeiro lugar serão as grandes vencedoras na economia digital de hoje, de acordo com um relatório global da Accenture. À medida que os avanços tecnológicos aceleram a um ritmo sem precedentes - revolucionando dramaticamente a força de trabalho - as empresas que proporcionam aos funcionários, parceiros e consumidores o ganho de novas habilidades podem capitalizar de forma plena as inovações.

“Aquelas que o fazem terão capacidades incomparáveis para criar novas ideias, desenvolver produtos e serviços de ponta, revolucionando o status quo”, reforça a consultoria, que identificou cinco tendências tecnológicas consideradas críticas para o sucesso digital.

Paul Daugherty, CTO da Accenture, resume: Digital significa pessoas. Segundo o executivo, as empresas que adotam o formato digital podem capacitar sua força de trabalho para aprender novas habilidades de forma continua, o que permitirá que façam mais com a tecnologia e gerem maiores e melhores resultados de negócios.

A pesquisa, com mais de 3,1 mil empresas e executivos de TI em todo o mundo, a identificou que 33% da economia global já é impactada pelo formato digital. Além disso, 86% dos entrevistados preveem que o ritmo da mudança tecnológica vai aumentar muito rapidamente, sem precedentes, ao longo dos próximos três anos.

O relatório destaca como as companhias, muitas vezes, podem se sentir oprimidas pelo ritmo da mudança tecnológica, experimentando um "choque de cultura digital" ao acompanhar a concorrência. No entanto, elas podem adotar uma abordagem em que as pessoas estão em primeiro lugar, o que lhes permitirá criar novos modelos de negócios que impulsionam a revolução digital.

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