Segunda, 11 Janeiro 2016

Cinco considerações sobre negócios digitais em 2016

Confira tendências e suas implicações para os líderes de negócios, além de recomendações sobre como se preparar para maximizá-las

Em 2016, à medida que a corrida para a transformação digital avançar, começaremos a ver alguns líderes se distanciarem dos demais ao definirem um ritmo mais forte impulsionado por cinco ingredientes essenciais: o profundo entendimento sobre disrupção digital; a arte e a ciência de oferecer melhor experiência para o cliente; a próxima onda de tecnologias de ativação; o domínio sobre serviços digitais; e a inovação constante, da ideia até a execução.

A seguir, apresento cinco tendências de negócios digitais que espero que modelem 2016, suas implicações para os líderes de negócios e de tecnologia, além de recomendações sobre como se preparar para maximizá-las.

1. A disrupção digital registra atividades sísmicas fortes e frequentes

Em 2016, veremos disrupções digitais na forma de novos e inovadores modelos de negócios, processos e produtos à medida que os serviços entrarem no mercado com força total. Da mesma forma como ocorre em um evento sísmico, a atividade nos mercados se tornará cada vez mais forte e mais frequente com serviços cada vez mais digitais, com novas e convincentes propostas de valor.

As empresas com profundo e intuitivo entendimento sobre como, onde e quando criar disrupções de negócios sairão à frente na preferência dos usuários, enquanto aquelas que não fizeram uma pesquisa de estratégia com antecedência terão resultados menores. Algumas das disrupções tecnológicas em 2016 podem inclusive ser negativas, conforme evidenciado por algumas das respostas da pesquisa da Computerwold realizada com 182 CIOs e especialistas em tecnologia.

Recomendações: Quando se trata de disrupção, visualize além das definições ou abordagens de um único especialista em gestão e explore o conjunto completo de opções estratégicas disponíveis para sua organização.

O entendimento de como o negócio digital rompe as cinco forças de competência da indústria pode auxiliar. Considere uma estratégia multidimensional com medidas defensivas e ofensivas, com iniciativas disruptivas em relação ao modelo de negócio e à indústria, detalhadas em processos, produtos e serviços.

2. Um verdadeiro entendimento da experiência digital do cliente começa com uma separação entre ganhadores e perdedores

Muitas empresas especializadas em análises de mercado destacam a importância de uma verdadeira obsessão no que diz respeito à experiência do cliente. As organizações que entendem verdadeiramente o escopo completo desta experiência estarão à frente daquelas cujo foco limite-se a alguns poucos aspectos desta trajetória, como o suporte omnichannel ou um design elegante. O escopo inteiro da experiência do cliente incorporará um conjunto abundante de elementos de geração de valor, comprometimento, simplicidade, pontualidade, acessibilidade, personalização, contextualização, inteligência, antecipação, compartilhamento, capacidade de ouvir, de oferecer informações, análise, recomendações, segurança, educação e consentimento.

Recomendações: Estude o escopo completo sobre o que é importante para os seus clientes e use isso para orientar seus produtos e serviços pela jornada digital - e física - do seu cliente e seus pontos de contato com a sua empresa. Um ponto de partida é olhar para a declaração dos direitos da experiência do cliente digital e a adequar para a sua indústria.

Além disso, ao criar serviços para seus clientes, certifique-se de usar tanto dados implícitos (ou seja, aqueles que você pode deduzir sobre o comportamento, localização, contexto e história) quanto explícitos (ou seja, o que comentam sobre suas preferências, necessidades e interesses) para entregar uma experiência ao cliente altamente personalizada e contextualizada.

3. A nova plataforma de negócios digitais estimulará o renascimento da arquitetura

Com oito tecnologias-chave constituindo a futura plataforma para negócios digitais, a arquitetura se tornará um recurso chave para reunir as informações e dimensionar as iniciativas da empresa. A nova plataforma será impulsionada por tecnologias SMAC (Social, Mobile, Analytics e Cloud) junto com pessoas e contextos, automatização inteligente, Internet das Coisas e, obviamente, uma robusta segurança cibernética.

A automatização inteligente, incluindo robôs físicos e agentes de software virtuais, ganhará terreno em 2016 e experimentará um nível similar de atenção como o da IoT em 2015, e o Big Data am anos anteriores. Com mais iniciativas para implementação em escala, a automatização se tornará vital para gerenciar custos e melhorar operações, não apenas no Data Center, como por meio de serviços orientados ao cliente, espaços de trabalho colaborativos e processos empresariais.

Recomendações: As unidades de negócio e os departamentos de TI deverão trabalhar juntos para implementar iniciativas de negócios digitais, de modo que o produto final possa operar em velocidade e escala. Isso significa que as organizações obcecadas com a experiência digital do cliente precisarão estar igualmente obcecadas com sua arquitetura, assegurando que suas infraestruturas de TI - onde quer que residam - estejam à altura das tarefas, baseadas em serviços e definidas por software.

Na área da automatização inteligente, pense sobre como uma gama completa de tecnologias - desde a robótica, passando por agentes inteligentes e chegando aos processos definidos por software - tem a oferecer em agilidade, eficiência e redução de custos. Além disso, pense sobre como a adaptação do humano e da socialização da máquina podem combinar o melhor dos dois mundos para a colaboração homem-máquina.

4. O domínio sobre os serviços digitais torna-se a nova palavra-chave para a eficácia da TI

Em 2016, seis recursos vão se tornar essenciais para que as organizações de TI mantenham o ritmo para atender as demandas das áreas de negócio por disrupções digitais. São eles: Agile, DevOps, infraestrutura como serviço, automatização inteligente, conceito de personas, contexto e gerenciamento de serviços digitais. Elas constituem as habilidades mínimas necessárias para as organizações ampliarem seus negócios e construírem vantagem competitiva sustentável nos próximos anos. Já não é suficiente ter um conjunto inovador de produtos e serviços. Você também tem que ser um especialista em projetar, desenvolver, implementar, gerenciar e evoluir constantemente seus serviços digitais.

Recomendações: Avalie a maturidade em cada uma das seis dimensões (Agile, DevOps, infraestrutura como serviço, automatização inteligente, conceito de personas, contexto e gerenciamento de serviços digitais). Em vez de vê-los como recursos de TI, diferentes, comece a visualizar o ciclo de vida dos serviços digitais por completo para determinar como construir, implementar, automatizar, personalizar e gerenciar seus serviços digitais para que sejam orientados ao cliente ou direcionados a parceiros e colaboradores. Melhorar sua maturidade e os recursos em relação a essas seis dimensões fornecerá a agilidade ideal para aproveitar oportunidades de negócios e fazer correções em tempo real, de acordo com o aprendizado e as respostas às condições do mercado e às demandas do usuário final.

5. Programas de inovação robustos conectarão estratégias de negócios digitais, da execução à evolução

Finalmente, em 2016, os programas de inovação corporativa serão utilizados em larga escala para gerar ideias para as iniciativas de negócios digitais e gerir sua completa execução. Isso requer programas que tenham um conjunto abundante de ferramentas e processos comprovados e repetitivos que também possam servir a uma grande variedade de tipos de inovação, desde modelos de negócios até processos e tecnologia.

Recomendações: Para que os programas de inovação realmente entreguem resultados, será importante não apenas refletir a última tendência de inovação, mas também criar um programa apropriado à cultura da organização, capaz de lidar com os cinco pilares críticos de gerenciamento de inovação e toda a gama de resultados esperados.

De certa forma, o programa de inovação precisará ser bimodal, pois precisará gerar inovações estratégicas e de disrupção para o crescimento futuro, bem como inovações táticas para continuar ampliando a base.

Em resumo: os serviços digitais são um novo esporte, praticado em equipe

Basicamente, você pode ver que 2016 terá muito a ver com estratégia de negócios digitais, inovação corporativa e experiência digital do cliente, além de aspetos mais centrados na nova arquitetura da TI. Os departamentos de TI que terão mais êxito serão aqueles que trabalharão de forma mais confortável em todas essas dimensões, como uma equipe bem entrosada.

*Nicholas D. Evans lidera o Programa Estratégico de Inovação da Unisys

Fonte: Computerworld